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Saúde Pélvica Feminina · Dra. Isabella Donato

Síndrome Genitourinária da Menopausa: O Que É e Como Tratar

A síndrome genitourinária da menopausa (SGM) é a denominação atual para um conjunto de alterações genitais e urinárias causadas pela queda do estrogênio após a menopausa. Antes chamada de 'atrofia vaginal', o novo termo reflete melhor a abrangência dos sintomas — que vão muito além do ressecamento. Dra. Isabella Donato, fisioterapeuta pélvica, explica a síndrome e o escalonamento de tratamento disponível.

O Que É a Síndrome Genitourinária da Menopausa

Com a queda do estrogênio na menopausa, os tecidos da vulva, da região íntima, da bexiga e da uretra sofrem alterações progressivas. A mucosa vaginal se torna mais fina (redução de 60 a 80% da espessura em alguns casos), menos elástica e mais vulnerável a micro lesões e infecções. O pH da região íntima aumenta de 3,5-4,5 para valores próximos a 6-7, o que altera a microbiota protetora e favorece infecções recorrentes. A vascularização diminui, reduzindo a umidade natural e a capacidade de resposta ao estímulo de intimidade. Esses processos são progressivos e, sem tratamento, tendem a se agravar com o tempo — diferentemente dos fogachos, que melhoram espontaneamente em muitas mulheres.

Sintomas: Além do Ressecamento

A SGM se manifesta com um espectro de sintomas mais amplo do que muitas mulheres reconhecem. No componente genital: ressecamento e ardência constante ou ao toque, dor na intimidade (dispareunia), sangramento após a atividade íntima por fragilidade tecidual, e alterações no odor pela mudança de microbiota. No componente urinário: urgência miccional, aumento da frequência, infecções urinárias de repetição (duas ou mais por ano), e em alguns casos incontinência. Pesquisas indicam que entre 40% e 60% das mulheres pós-menopáusicas experimentam sintomas significativos de SGM, mas menos de 25% buscam tratamento — muitas por acharem que é 'normal' da idade ou por vergonha de abordar o tema com o médico.

Diagnóstico e Avaliação Clínica

O diagnóstico da SGM é essencialmente clínico — baseado na história da mulher e no exame físico. A fisioterapeuta pélvica avalia o trofismo tecidual, a elasticidade da mucosa, a presença de pontos dolorosos (como o canal de entrada ou o fundo do saco), o tônus muscular do assoalho pélvico e a pressão de fechamento uretral. Exames complementares como citologia atrófica podem confirmar a queda da maturação celular. O mapeamento desses achados permite um plano de tratamento específico — não existe uma abordagem única para todas as mulheres com SGM, pois a combinação e a intensidade dos sintomas variam significativamente.

Escalonamento de Tratamento: Do Menos ao Mais Invasivo

O tratamento da SGM segue uma lógica de progressão. Primeiro nível: higiene vulvar com sabonetes de pH ácido (3,5-4,5), hidratantes vaginais regulares (ácido hialurônico ou policarbofil 2 a 3 vezes/semana) e lubrificantes para a intimidade. Segundo nível: estriol tópico em baixas doses, com absorção sistêmica mínima — altamente eficaz para restaurar o trofismo tecidual e normalizar o pH. Terceiro nível: terapia hormonal sistêmica (TH), indicada quando há outros sintomas da menopausa concomitantes (fogachos, insônia, humor). Quarto nível: tratamentos de energia (laser de CO2 fracionado ou radiofrequência), que estimulam colágeno e vascularização — opção para mulheres que não podem ou não querem hormônios. A fisioterapia pélvica potencializa todos os níveis ao melhorar a circulação local, tratar a tensão muscular associada e reabilitar o assoalho pélvico.

Qualidade de Vida e o Que Fica Sem Tratamento

A SGM não tratada tem consequências que vão além do desconforto físico. Pesquisas mostram que mulheres com SGM sintomática relatam redução significativa na satisfação com a vida íntima, maior frequência de conflitos relacionais por evitação da intimidade, e impacto negativo na autoestima e na imagem corporal. As infecções urinárias de repetição, quando não tratadas na causa raiz (atrofia uretral), geram ciclos de antibioticoterapia que pioram a microbiota e a resistência bacteriana. A boa notícia é que o tratamento — mesmo quando iniciado anos após a menopausa — produz resultados significativos. Nunca é tarde para tratar.

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Perguntas Frequentes

Síndrome genitourinária da menopausa é permanente?

Sem tratamento, tende a progredir com o tempo. Com tratamento adequado, os tecidos respondem bem e muitos sintomas são revertidos ou significativamente reduzidos. O tratamento, porém, precisa ser mantido — especialmente se baseado em estriol tópico, que deve ser usado de forma contínua para manter os benefícios.

Posso tratar a SGM mesmo tendo tido câncer de mama?

Essa decisão requer avaliação conjunta entre oncologista e ginecologista. Para muitas sobreviventes, o estriol tópico em doses baixas pode ser uma opção — mas deve ser avaliado caso a caso. Hidratantes sem hormônio são geralmente liberados para todas as mulheres.

A fisioterapia pélvica trata a síndrome genitourinária da menopausa?

Sim, de forma complementar. A fisioterapia melhora a circulação local, trata a tensão muscular do assoalho pélvico (que frequentemente acompanha a atrofia), e utiliza recursos como laser e radiofrequência quando disponíveis. Em conjunto com o tratamento clínico, os resultados são superiores.

Quando devo procurar tratamento para a SGM?

Assim que os primeiros sintomas aparecerem — não espere pela dor intensa. Ressecamento leve, pequenas alterações no odor, maior frequência urinária: esses são sinais iniciais que respondem muito melhor ao tratamento quando abordados cedo.

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